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[16/4/2010]
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Autor:
Tadeu Martins
Empresário |
Estelionato Previdenciário
A questão previdenciária é grave e complexa, mais ainda no Brasil onde houve um rápido e significativo aumento da expectativa de vida e pouco mais de 50% da massa trabalhadora é contribuinte do sistema previdenciário. E não basta o governo declarar que o poder de compra dos aposentados foi mantido, pois o salário mínimo cresceu muito mais e os trabalhadores em geral conseguiram aumentos significativos em seus acordos. Resultado: comparativamente aos que os rodeiam, os aposentados e pensionistas tiveram uma redução salarial relativa. Além disso, o precário sistema público de saúde e o incentivo do governo ao endividamento bancário agravam mais sua grave situação.
Aposentados e pensionistas podem ser comparados a passageiros de um barco de passeio movido a remos cujo serviço de bordo é muito ruim. Os trabalhadores em atividade são os principais remadores que, pela enorme carga, já não conseguem imprimir velocidade razoável ao barco. Pior, não há velas nem bons ventos, pois no passado não foi feita poupança alguma e hoje o governo está preocupado em gastar, inclusive, recursos previstos para o futuro. Como dito acima, o baixo número de remadores em relação aos passageiros já compromete a governabilidade do barco frente a qualquer adversidade.
Os protestos contra o achatamento das aposentadorias e pensões são muito mais do que justos. Já as promessas e projetos que pretendem, de alguma forma, facilitar maior transferência dos remadores para a classe dos passageiros são de duvidoso acerto, visto que, no longo prazo pelo menos, haverá uma carga muito maior para aqueles que permanecerem na ativa.
Porém, fazer campanha acenando com promessas para os dois lados, como faz certo senador deste Estado, se não for ignorância (no bom sentido), no mínimo, é de duvidosa honestidade. De fato, aos remadores ele promete que em maior número vão poder abandonar os remos e passar para a classe dos passageiros, e para estes promete um serviço de bordo muito melhor. O que vai acontecer logo ali adiante não lhe interessa, o que lhe importa são as próximas eleições.
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