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[21/10/2009]
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Autor:
Antonio Augusto d’Avila
economista, militante da Zonal 114 PA |
Três anos de maldades
Como cenário, um programa de televisão focado nas eleições de 2010 cujo clima já envolve as mais altas autoridades políticas brasileiras. No RS, um Ministro, ungido por seu partido, já se fardou. No fundo, o imediatismo, governantes são eleitos para distribuir benesses, aqui e agora. O que interessa são bons índices de popularidade. E a Governadora não os tem. Ao final, um dos debatedores, cientista político, referindo-se ao atual Governo do Estado, afirma terem sido três anos de maldades.
Ora, durante 30 anos, nosso Estado gastou mais do que arrecadou, ou seja, remeteu para os futuros contribuintes a conta do elevado desperdício que sempre acompanha o gasto público. Dessa forma, construiu uma dívida monumental, fez a alegria dos banqueiros e dos ricos investidores. Quando não tinha mais crédito na praça, foi para o calote dos precatórios e dos fornecedores do Estado. Aqui, também, fez a alegria de atravessadores, lobistas, corruptos e corruptores.
Mais grave, ao longo desses anos, nos acostumamos à decadência do Estado, ao êxodo de nossa juventude, à perda de posições em quase todos os setores, ao sucateamento da infraestrutura viária, à deplorável situação dos presídios e escolas. Nos acostumamos ao aviltamento dos salários dos professores, dos policiais civis e militares, e dos demais servidores que não fazem parte de uma elite que conseguiu capturar o Estado.
Em resumo, por décadas ainda, além de pagarmos pela educação, saúde e segurança, estaremos condenados a pagar, também, pelas mordomias, pelos festivais de diárias, pelos desvios e corrupção do passado, tudo acrescido de pesados juros. Pelo menos, no atual governo, já no segundo desses três anos, deixamos de remeter contas para serem pagas por nossos filhos.
Houve um engano, não foram esses três, foram aqueles trinta anos. Trinta anos de maldades praticadas contra quem não podia se manifestar, contra quem ainda não havia nascido.
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